Fall_Outle0
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Gabriel Magalhães tem uma vida perfeitamente comum: mesa 4B, café ruim, prazos impossíveis e dois chefes que parecem determinados a tornar cada dia útil um exercício de sobrevivência.
Erling Haaland não sorri. Não elogia. Só cobra - e cobra de novo, como se Gabriel nunca fosse suficiente. Jude Bellingham, o sócio, é pior: encantador na frente dos outros, implacável nos bastidores, sempre querendo mais, mais rápido, mais alto. Juntos, eles transformaram o escritório num inferno silencioso de planilhas, reuniões e horas extras que ninguém pediu.
Gabriel os odeia. Ou pelo menos é o que ele diz a si mesmo todas as manhãs, quando entra naquele elevador e respira fundo antes das portas se abrirem.
Mas toda sexta-feira à noite, quando o expediente acaba e a cidade acende, existe um lugar onde ninguém usa nomes verdadeiros. Um lugar de luz vermelha, máscaras de renda e vozes que sussurram ordens. Um lugar onde Gabriel - sem saber como, sem saber por quê - se ajoelha pela primeira vez e finalmente respira.
É lá que ele conhece eles. Dois homens mascarados que o veem de um jeito que ninguém nunca viu. Que lhe perguntam o que ele quer. Que lhe dizem o que fazer. Que lhe dão, pela primeira vez na vida, a sensação de pertencer a algo - mesmo que seja a algo perigoso.
Gabriel não sabe quem eles são. E eles não sabem que ele sabe que deveriam saber.
Ou sabem?
Porque há vozes que a gente reconhece mesmo quando não deveria. Há gestos que denunciam. Há olhares que, na segunda-feira de manhã, atravessam a sala de reunião e dizem tudo o que não pode ser dito.
Gabriel está preso entre dois mundos: o de dia, onde ele é ninguém. E o da noite, onde ele é deles.
O problema é que os dois mundos têm os mesmos donos.
E quando o prazer e o poder se confundem, quando a obediência vira desejo e o desejo vira necessidade, Gabriel vai precisar decidir uma única coisa:
Ele quer fugir - ou quer ser encontrado?