dolles
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Pau Cubarsí sempre foi a definição exata de controle. Dentro da zaga do Barcelona, sua frieza com a bola nos pés e sua leitura impecável de jogadas o tornaram um fenômeno precoce, um jovem intocável que raramente perdia a compostura. No entanto, essa fachada de serenidade absoluta desmorona no instante em que Gabriel Martinelli entra em seu campo de visão.
O que começa como um duelo físico intenso em campo rapidamente se transforma em algo muito mais sombrio e consumidor na mente de Pau. Para o jovem zagueiro, o atacante do Arsenal deixa de ser apenas um adversário veloz e passa a ser uma fixação implacável. Cada arrancada de Gabriel pela ponta, cada drible desconcertante e cada respiração ofegante após uma disputa dividida tornam-se imagens gravadas em looping na mente de Cubarsí, que passa a colecionar cada segundo de jogo do brasileiro com uma devoção quase cirúrgica.
As partidas já não bastam. As trocas de camisas no apito final evoluem para um monitoramento constante: os horários de treinos em Londres, as entrevistas, os stories apagados rapidamente, as conversas de Gabriel com outros jogadores. Pau sabe de tudo, estuda cada detalhe da rotina do brasileiro com a mesma precisão milimétrica que usa para anular atacantes de elite. O que era admiração competitiva corrompe-se em uma necessidade sufocante de posse, onde o espaço pessoal de Martinelli começa a diminuir à medida que Cubarsí se infiltra sorrateiramente em sua vida privada.
Enquanto a Europa inteira aplaude o talento brilhante de Gabriel nos gramados da Premier League, o brasileiro começa a perceber que há uma sombra persistente seguindo cada um de seus passos - alguém que conhece seus hábitos melhor do que ele próprio, e que não aceita dividir seu foco com mais ninguém.