nocturnamuse
Londres, 1987. De um lado do mundo, Michael Jackson grava Dirty Diana às três da madrugada num estúdio de Los Angeles, uma música sobre uma mulher sem nome, sem rosto, que ele não consegue explicar de onde veio. Do outro lado do oceano, Diana Frances Spencer, Princesa de Gales, ouve aquela mesma música num rádio de antena torta numa madrugada de insônia e sente, pela primeira vez em anos, algo que não sabe nomear.
Eles não se conhecem.
Não deveriam se conhecer.
Dois prisioneiros em jaulas douradas, ele, o rei do pop que o mundo ama com uma intensidade que o isola completamente; ela, a princesa mais fotografada da Terra, sufocando em silêncio dentro de um casamento falido e uma instituição que a consome viva. Dois seres humanos que aprenderam a existir em público com uma perfeição tão absoluta que o custo privado dessa perfeição se tornou invisível para todos, menos um para o outro.
Quando a Bad World Tour anuncia shows em Londres, uma data aparece numa agenda azul-escura que só Diana vê. Quando uma fotografia é tirada de uma gaveta depois de vinte e dois dias, Michael entende que já era tarde demais para guardar de volta.
O que começa como reconhecimento silencioso atravessa dez anos de encontros que o mundo não pode saber, de uma atração sem nome seguro que os dois alimentam e combatem e alimentam de novo, porque algumas coisas são mais fortes que o razão, que o protocolo, que o medo de tudo que há para perder.
Dirty Crown é sobre solidão que reconhece solidão. É sobre desejo que cresce no escuro porque o escuro foi o único lugar que sobrou.
E termina da única forma que sempre foi possível, com um túnel em Paris e o fio que se parte às doze horas e vinte e três minutos de uma madrugada de agosto, e um homem sentado no escuro que sabia antes do telefone tocar.
Não é uma história de amor. É uma história sobre o que o amor faz quando não tem para onde ir.