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Lizzie sempre se sentiu fora do mapa.
Enquanto as pessoas enxergavam um mundo cheio de cores, ela via tudo em preto e branco. Não importava o lugar, a estação do ano ou quem estivesse ao seu lado; era como se a vida tivesse perdido o brilho antes mesmo de ela aprender o que significava viver.
Desde pequena, observava a felicidade estampada no rosto das pessoas. Via crianças brincando, famílias rindo, casais fazendo promessas que pareciam eternas. Ela queria entender o que era aquilo. Como alguém podia sentir algo tão bonito? Como era acordar e ter vontade de viver mais um dia?
Com o tempo, deixou de procurar respostas. Acostumou-se ao vazio, transformando a dor em rotina. Sorria quando precisava, respondia quando perguntavam se estava bem e seguia em frente, mesmo sem saber para onde estava indo.
Ainda assim, existia um único motivo que a fazia continuar.
Ela queria ser a cura de alguém. Se não pudesse encontrar luz para si mesma, talvez pudesse acender a de outra pessoa. Talvez existisse um sentido em aliviar a dor que ela conhecia tão bem.
E então, ela apareceu.
Billie.
Ela carregava nos olhos o mesmo cansaço que Lizzie escondia, mas ainda havia algo diferente nela: uma pequena faísca de esperança que insistia em não se apagar.
As duas se aproximaram aos poucos. Entre conversas durante a madrugada, silêncios que não eram desconfortáveis e risadas que surgiam sem perceber, Lizzie começou a juntar os pedaços daquela garota.
E, sem notar, a garota também começou a juntar os dela.
Pela primeira vez, o mundo deixou de parecer completamente cinza.
As cores ainda eram tímidas, quase invisíveis, mas estavam ali.
E, pela primeira vez, Lizzie acreditou que talvez ainda existisse uma chance de encontrar a felicidade que passou a vida inteira procurando.
Mal sabia ela que algumas histórias nascem para salvar alguém... e outras para ensinar que nem toda salvação é suficiente.