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Karina e Winter eram fiéis e cresceram ouvindo sobre Deus, a fé e a esperança. Todos viam Winter como uma pessoa comum: gentil, educada e de sorriso tranquilo. Mas Karina nunca conseguia ficar totalmente confortável perto dela. Não era medo. Também não era ódio. Era uma sensação difícil de explicar, como se algo estivesse fora do lugar. Sempre que Winter se aproximava, Karina sentia um peso no peito, um arrepio percorrendo a espinha e uma inquietação que fazia seu coração acelerar. Ela orava, pedindo para que Deus tirasse aquele sentimento caso fosse apenas um julgamento injusto. Mas a sensação nunca desaparecia. Karina não sabia por quê, apenas tinha a estranha convicção de que Winter carregava um segredo. Algo tão profundo que, de alguma forma, a afastava do Reino dos Céus. Ela não fazia ideia do que era, nem tinha provas de qualquer coisa. Ainda assim, a impressão permanecia, silenciosa e insistente. Enquanto todos acolhiam Winter sem hesitar, Karina continuava dividida entre a compaixão que sua fé ensinava e a inquietação que não conseguia explicar. E, no fundo, ela temia que um dia descobrisse o motivo daquele estranho pressentimento.