Lita_Santos
Você já teve um sonho em que o impossível parecia apenas... distante, nunca proibido?
Talvez você já tenha corrido pelos céus sem asas e sem medo de cair. Talvez já tenha caminhado pelo fundo do mar como se a água fosse apenas outra forma de ar. Talvez já tenha atravessado oceanos inteiros sem mapa, sem destino, guiado apenas por uma certeza silenciosa dentro do peito. E, naquele instante estranho entre dormir e acordar, nada parecia absurdo. Nada parecia grande demais.
Porque, nos sonhos, existe uma verdade antiga que o mundo tenta fazer esquecer: a vontade pode abrir caminhos onde antes só havia horizonte.
Mas há lugares, muitos lugares, onde as pessoas aprendem cedo demais a baixar os olhos. Onde o tempo ensina a aceitar o pequeno, o seguro, o imóvel. Onde os sonhos deixam de ser portas e passam a ser histórias que ninguém mais conta em voz alta.
Ainda assim, existem exceções.
Em algum canto do mundo, sob o mesmo mar que guarda segredos mais velhos que qualquer memória, existiam dois irmãos que nunca aprenderam a desistir. Dois corações pequenos demais para carregar tanta certeza, e ainda assim carregavam.
Eles sabiam que o impossível não era um limite, era um convite. Se quisessem, poderiam até dançar sobre o sol.
Luffy tinha apenas uma certeza, simples, absurda, ele se tornaria o Rei dos Piratas. E, desde sempre, existia outra certeza caminhando ao lado dessa primeira. Sua primeira companheira seria a menina cuja mão ele nunca soltava.
Muriel também sabia algo que ninguém precisou ensinar.
Sabia que seguiria ao lado do irmão até onde o mar acabasse, e talvez até depois disso. Sabia que, em algum lugar entre tempestades, ilhas desconhecidas e silêncios profundos como o fundo do oceano, ela encontraria respostas para perguntas que ainda nem tinha aprendido a fazer.
Porque sonhos não são apenas desejos.
São correntes invisíveis puxando alguém em direção a algo muito maior.